sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Transtornos com nomes inspirados em personagens da literatura



Caso personagens da literatura fossem parar no divã, suas histórias certamente intrigariam qualquer psiquiatra. Para além de aventuras e desventuras vividas nas páginas, estas personas literárias estão cheias de entrelinhas, conflitos, nuances e contradições. Não por acaso, o mundo literário se confunde com o mundo real no momento do diagnóstico: conheça 6 transtornos com nomes inspirados em personagens da literatura:

 

1. Síndrome de Alice no País das Maravilhas
Não é preciso seguir o coelho branco para visitar o estranho País das Maravilhas – para algumas pessoas, essa ~viagem~ faz parte do dia a dia. Em 1955, o psiquiatra J. Todd descreveu esta condição neurológica que compromete os sentidos e a percepção, e tem efeitos que muito se assemelham às experiências da personagem do escritor Lewis Carroll. No livro, de 1865, Alice cresce e encolhe com ajuda de alguns cogumelos alimentos e bebidas que encontra pelo seu caminho. É assim que os afetados pela síndrome se sentem: o doente fica confuso em relação ao tamanho e forma do próprio corpo, sentindo que está aumentando ou diminuindo de tamanho, por exemplo. A confusão também se dá quanto aos formatos e dimensões dos objetos ao seu redor. A condição teria ligação com enxaquecas e com epilepsia, mas estudos que determinam suas causas ainda estão sendo conduzidos.

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2. Síndrome de Peter Pan
Garotão
Em 1911, J.M. Barrie nos levou em um passeio pela Terra do Nunca, lar encantado de Capitão Gancho, de Sininho, dos Garotos Perdidos e, claro, de Peter Pan, o menino que não queria crescer. Não por acaso, é deste garoto levado que a psicologia pegou emprestado o nome para a condição descrita e popularizada pelo escritor Dr. Dan Kiley. A Síndrome de Peter Pan descreve adultos que nunca conseguiram dar adeus à infância. “Ele é um homem devido a sua idade e um garoto por seus atos”, descreve Kiley em livro publicado em 1983. Considerada uma psicopatologia, a condição ainda não foi incluída na lista de distúrbios da Organização Mundial da Saúde.

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3. Síndrome de Rapunzel
Você com certeza se lembra dela: Rapunzel é a heroína do conto escrito pelos Irmãos Grimm e publicado em 1812. Inconfundível, a jovem princesa, aprisionada em uma torre sem portas ou escadas, possui loooongos e belos cabelos dourados. Como você pode imaginar, as madeixas também são uma parte importante da rara síndrome de mesmo nome, descrita em 1968. A Síndrome de Rapunzel está ligada à tricotilomania, transtorno que torna irresistível a vontade de arrancar os próprios cabelos e muitas vezes está associado também à tricofagia: a compulsão pela ingestão destes fios. O problema se agrava porque o corpo humano não é capaz de digerir o cabelo, que pode acabar se acumulando entre o estômago e o intestino delgado. Aí, já viu: caso essa grande massa (chamada tricobezoar, em “cientifiquês”) vá crescendo até chegar até o intestino delgado, acaba o obstruindo, tornando necessária sua remoção cirúrgica.

4. Síndrome de Dorian Gray
Forever young

Obcecado com sua aparência, Dorian Gray, o perturbado e narcisista personagem criado por Oscar Wilde, faz escolhas impensáveis para manter sua juventude eterna. O Retrato de Dorian Gray, publicado em 1890, inspirou a descrição da condição que aflige àqueles que também não lidam nada bem com a ideia do envelhecimento. Ainda não incluída no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (a bíblia dos psiquiatras), a síndrome descrita no International Journal of Clinical Pharmacology and Therapeutics, em 2001, aponta uma das mais comuns “fontes da juventude eterna” procuradas pelos afligidos pela condição: cirurgias plásticas e drogas milagrosas que prometem esconder a passagem dos anos.

5. Síndrome de Huckleberry Finn
Huck não teve uma infância feliz. O garoto, personagem de As Aventuras de Huckleberry Finn, livro escrito por Mark Twain em 1884, nunca conheceu sua mãe e era constantemente abandonado por seu pai. Ao invés de ir para escola, Huck cabulava aulas e fugia de qualquer obrigação. E, segundo estudos, este tipo de comportamento na infância pode ter impactos ao longo da vida. Vem daí o nome da Síndrome de Huckleberry Finn, que faz uma ligação entre a infância problemática e atitudes erráticas na vida adulta – como a instabilidade profissional, por exemplo. Segundo o Steadman’s Medical Eponyms, a condição seria despertada por sentimentos de rejeição.

 
6. Síndrome de Otelo
É verdade o que você ouviu por aí: o ciúme pode mesmo ser uma doença. O sentimento angustiante tem uma explicação clínica – é causado pelo medo da perda de um objeto amado. Até aí, tudo bem. Mas, quando o ciúme passa a gerar perturbações e sofrimentos sérios, deixa de ser considerado normal. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quem sofre do Transtorno Delirante Paranóico do tipo ciumento tem convicção, sem motivo justo ou evidente, de que está sendo traído pelo cônjuge ou parceiro. O ciúme patológico e delirante se enquadra na Síndrome de Otelo, cujo nome remete à obra escrita por William Shakespeare em 1603. Em Otelo, o Mouro de Veneza, o personagem-título é devorado pelas suspeitas infundadas de que sua esposa, Desdêmona, estaria o traindo. Se você não sabe como termina a história, uma dica: ninguém vive feliz para sempre neste conto.


 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A criança que você foi se orgulharia do adulto que você se tornou?


Lembra daqueles áureos tempos da infância? Lembra dos sonhos que tinha? Dos princípios possuía? Da superação constante dos obstáculos?
Toda criança tem sonhos, claro que, umas sonhavam mais que outras, mas todas têm alguns.

Pense na profissão que queria ter quando criança e pense em como você fantasiava que seria quando fosse 'grande', pois bem, chegou lá? Ótimo! Não chegou ainda, mas está trabalhando para tal? Ótimo também! O importante é não desistir! Não chegou lá ainda e acredita que não alcançará nunca? Bem, talvez essa atitude não te fizesse feliz quando era criança...

E as amizades que você tem? As pessoas que você anda? Te fazem tão bem quanto aqueles que você tinha na infância? Você pode falar o que bem entender pra eles? Você se sente à vontade para ser você sem se importar com o que eles vão pensar ou se eles vão te julgar? Você é feliz com eles?

E os seus princípios? Lembra-se de quando pegamos alguma coisa do coleguinha da escola, e nossos pais nos ensinaram que não podíamos pegar o que não é nosso e morremos de vergonha por isso? Será que ainda temos essa lição viva dentro de nós ou "pegar só uma caneta do trabalho não vai fazer diferença"?

Um dos maiores paradoxos que existe na vida é exatamente esse: Passamos a vida tentando ser mais sábios para descobrirmos que éramos bem mais sábios quando crianças...
Pense em tudo o que você almejou quando criança pense em porque sentia orgulho das pessoas e o que fazia com que se decepcionasse com elas. Se pergunte e se responda, com a maior sinceridade que puder a seguinte questão: "A criança que eu fui teria orgulho do adulto que me tornei?".

Esse entendimento, pode fazer toda a diferença, nunca é tarde para recomeçar, pois como disse Thomas Edison: "Eu tentei 500 vezes acender essa lâmpada, porém eu não tive 499 fracassos para ter 1 sucesso, na verdade, eu tive 500 chances de sucesso, e em uma delas, eu acertei em cheio!".

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Feng Shui


 

 

Tanto a Índia quanto a China se dizem responsáveis pela origem do Feng Shui.

Os arqueologistas descobriram evidências de que há cerca de 5.500 anos, místicos indianos praticavam os princípios de "vastu shastra", traduzido literalmente como "ciência das construções". É um sistema que explica como projetar e construir prédios, casas e cidades. Os seguidores do vastu acreditam que toda construção é um organismo vivo com sua própria energia, e estudam os efeitos de cinco elementos: terra, água, fogo, ar e espaço no mundo ao redor deles.
De acordo com alguns historiadores, cerca de 3 mil anos atrás, os praticantes indianos de vastu (geralmente monges) atravessaram o Tibete e foram até a China. Os chineses adotaram os princípios do vastu e fizeram adaptações, que se transformaram nas várias escolas de Feng Shui.

Aqueles no campo de Feng Shui identificam as origens dessa filosofia em cemitérios de vilas que datam de 6 mil anos a.C. A maioria dos estudiosos concorda que o Feng Shui se originou como um método de enterro que evoluiu com o tempo. Existem até algumas evidências dos primórdios do Feng Shui na Europa pré-histórica - o Stonehenge, por exemplo.

Os chineses, assim como os indianos, usaram os princípios de design dessa filosofia para construir suas cidades. O Livro do Ritual da dinastia Chou (1030-722 a.C.) descreve os planos para uma cidade capital, ditando o uso de quadrados e a colocação de portões nos quatro pontos da bússola. Isso é considerado a base para todos os designs das cidades chinesas, principalmente Beijing (em inglês).

O Feng Shui deu seu primeiro salto para os Estados Unidos na década de 80 e cresce constantemente desde então. Nos últimos anos, o interesse nos elementos de design e arquitetura do Feng Shui cresceu muito na América do Norte, Europa e Austrália.

 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Transtorno do Pânico

Transtorno do Pânico
 
Origem da palavra "Pânico"
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É proveniente do grego "panikon" que tem como significado susto ou pavor repetitivo. Na mitologia grega o Deus Pã, que possuía chifres e pés de bode, provocava com seu aparecimento, horror nos pastores e camponeses. Desta forma a palavra tem em nossa língua o significado de medo ou pavor violento e repetitivo. Em Atenas, teria sido erguido na Acrópole um templo ao Deus Pã, ao lado da Ágora, praça do mercado onde se reunia a assembleia popular para discutir os problemas da cidade, sendo daí derivado o termo agora fobia, usado em psiquiatria e que possui como significado o medo de lugares abertos.
     
Sinonímia
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Desordem, Doença, Síndrome, Distúrbio do Pânico.
     
Introdução
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O Transtorno do Pânico (TP) é uma entidade clínica recente e era antigamente chamada de neurastenia cardiocirculatória ou doença do coração do soldado ("coração irritável" denominação dada por Da Costa em 1860 durante a guerra civil americana), embora a primeira descrição sintomatológica tenha sido feita por Freud, que a classificou como neurose ansiosa. Até 1980, o quadro foi agrupado sob o título de "neurose de ansiedade" e atualmente este mesmo grupo foi subdividido em Doença do Pânico e Transtorno de Ansiedade Aguda ou Generalizada.
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As diferenças clínicas, razão pela qual derivou a subdivisão do grupo em Reações de Ansiedade Aguda e TP, residem no fato de que os fatores geradores da primeira são motivados por agentes externos que ameaçam de forma clara e consistente a vida do indivíduo tais como catástrofes, panes em aviões, trens, veículos, incêndios em teatros e cinemas entre outros.
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No distúrbio que deflagra a "crise de pânico" o agente externo freqüentemente encontra-se ausente e a ameaça está dentro do próprio paciente (endógena). Ambas as desordens vem acompanhadas de grande estímulo do sistema nervoso autônomo caracterizados por boca seca, aceleração dos batimentos cardíacos, palpitações, palidez, sudorese e falta de ar. Este conjunto de manifestações qualifica o que se denomina "reação de alarme" adaptando o organismo às situações de fuga, luta ou perigo iminente. Esses achados constituem os elementos básicos para que se cogite na possibilidade de estarmos diante de um paciente portador de TP.
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O TP é causa freqüente de procura a psiquiatras e psicoterapeutas sendo considerada uma doença da "modernidade" ligada ao stress cotidiano. É uma patologia real (alguns a rotulam como frescura) e incapacitante devido a seus sintomas extremamente desagradáveis. Só quem padece de TP é que sabe valorizar a intensidade de sua sintomatologia.
 
O Grande Problema
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Este fato é devido em grande parte ao desconhecimento do TP por médicos não especialistas (não psiquiatras) o que determina a demora no diagnóstico do caso com o conseqüente e indesejável desenvolvimento das complicações.
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A grande maioria dos pacientes, devido a predominância dos sintomas ligados ao aparelho cardiovascular, são atendidos em pronto-socorros cardiológicos por clínicos e/ou cardiologistas e medicados com fármacos que não são capazes de bloquear as "crises ou ataques de pânico". A medida que as crises se sucedem, sem que os pacientes observem melhora, os leva a insegurança e ao desespero. São realizados inúmeros exames sem se chegar a uma conclusão diagnóstica sendo os sintomas atribuídos a situações genéricas como estafa, nervosismo, fraqueza ou com frases do tipo: "o Sr.(a) não tem nada".
     
Etiologia (causa)
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São consideradas possíveis 3 hipóteses básicas:
  • hiperatividade ou disfunção de sistemas ligados aos neurotransmissores (substâncias responsáveis pela transmissão do estímulo nervoso entre as células) cerebrais relacionados com vários elementos dos sistemas de alerta, reação e defesa do Sistema Nervoso Central (SNC). 
  • alteração ainda não bem determinada na sensibilidade do SNC a mudanças bruscas de pH e concentrações de CO2 intracerebral e/ou hipersensibilidade de receptores pós-sinápticos (zona distal de contato entre duas células nervosas) de 5 hidroxitriptamina envolvidos no sistema cerebral aversivo. 
  • fatores genéticos
Epidemiologia
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Pesquisas realizadas nos EUA demonstram que para cada 1000 indivíduos cerca de 1 a 3 são afetados pelo TP.
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No Brasil, infelizmente, as estatísticas são inconclusivas.
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Ocorre sobretudo em adultos jovens na faixa etária entre 20 e 45 anos de ambos os sexos, com predileção pelo feminino na proporção de 3:1. Nesta faixa etária os pacientes estão na plenitude de seu potencial de trabalho e ao apresentarem a doença são geradas conseqüências desastrosas voltadas tanto para o desenvolvimento profissional quanto social.
     
Critérios Diagnósticos do TP
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O diagnóstico baseia-se nos seguintes critérios segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais (DSM-IV) da Associação Psiquiátrica Americana:
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Ataques de pânico recorrentes e inesperados. Critérios para o Ataque de Pânico:
 
Um curto período de intenso medo ou desconforto em que 4 ou mais dos seguintes sintomas aparecem abruptamente e alcançam o pico em cerca de 10 minutos.      
    • sudorese 
    • palpitações e taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos) 
    • tremores ou abalos 
    • sensação de falta de ar ou de sufocamento 
    • sensação de asfixia 
    • náusea ou desconforto abdominal 
    • sensação de instabilidade, vertigem, tontura ou desmaio 
    • sensação de irrealidade (desrealização) ou despersonalização (estar distante de si mesmo) 
    • medo de morrer 
    • medo de perder o controle da situação ou enlouquecer 
    • parestesias (sensação de anestesia ou formigamento) 
    • calafrios ou ondas de calor 
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Pelo menos um dos ataques ter sido seguido por 1 mês ou mais de uma ou mais das seguintes condições:
    • medo persistente de ter novo ataque 
    • preocupação acerca das implicações do ataque ou suas conseqüências (isto é, perda de controle, ter um ataque cardíaco, ficar maluco) 
    • uma significativa alteração do comportamento relacionada aos ataques 
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O Ataque de Pânico não ser devido a efeitos fisiológicos diretos de substâncias (drogas ou medicamentos) como: álcool, ioimbina, cocaína, crack, cafeína, ecstasy ou de outra condição médica geral (hipertireoidismo, feocromocitoma, etc...)
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Os ataques não devem ser conseqüência de outra doença mental, como Fobia Social (exposição a situações sociais que geram medo), Fobia Específica (medo de avião, de elevador, etc...), Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Pós-traumático ou de Separação.
 
O Ataque e o TP
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Devemos observar que existem critérios diagnósticos para considerar um paciente como portador de TP e eles devem ser bem estabelecidos. Um episódio de ataque de pânico isolado não preenche as condições necessárias para o diagnóstico de TP. Os sintomas que caracterizam o ataque devem ser recorrentes e não precipitados por uma situação ou acontecimento externo.
     
Diagnóstico Diferencial
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Se os critérios diagnósticos são preenchidos há grande possibilidade de estarmos diante de um caso de TP, mas como muitos sinais e sintomas coincidem com os de outras doenças orgânicas e psiquiátricas, faz-se mister estabelecer-se o diagnóstico diferencial entre elas:
1. Doenças Orgânicas
  1. hipertireoidismo e hipotireoidismo 
  2. hiperpatireoidismo 
  3. prolapso da válvula mitral 
  4. arritmias cardíacas 
  5. insuficiência coronária 
  6. crises epilépticas ( principalmente as do lobo temporal ) 
  7. feocromocitoma 
  8. hipoglicemia 
  9. labirintite, lesões neurológicas 
  10. abstinência de álcool e/ou outras drogas
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Para que sejam avaliadas estas doenças é extremamente importante uma boa anamnese e avaliação clínica, como também tornam-se necessários exames laboratoriais (dosagem da glicemia, de hormônios, de ácidovanil-mandélico, etc...), gráficos (eletrocardiograma, teste ergométrico, Holter, eletroencefalograma basal com foto estimulação, hiperpnéia, privação de sono e sono induzido, etc...) e de imagem (tomografia computadorizada, ressonância nuclear magnética, ecocardiograma, etc...).
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O SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography), exame atualmente realizado em pesquisas (cintilografia com medida do fluxo sangüíneo regional cerebral, marcado com contraste radioativo) tem revelado assimetria (direita > esquerda) no giro parahipocampal dos lobos temporais e na região órbito-frontal dos córtices pré-frontais dos pacientes portadores de TP.
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Outro fato que merece destaque é que cerca de 36 a 40% dos pacientes portadores de TP apresentam prolapso valvular mitral associado, revelado na ecocardiografia.
2. Distúrbios Psiquiátricos
  • de ansiedade generalizada 
  • de depressão 
  • de despersonalização 
  • somatiforme 
  • esquizofrenia 
  • de caráter
 
Complicações e Interferências sócio-econômicas e familiares
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As complicações decorrentes dos repetidos ataques de pânico induzem a gastos excessivos por parte dos pacientes com médicos e exames complementares, muitas vezes dispensáveis. Afastamento do trabalho, faltas, impossibilidade de aceitar promoções (por medo de assumir maiores responsabilidades) e até pedidos de demissão, são situações corriqueiras na vida destes pacientes, sobretudo se o TP não é diagnosticada precocemente e vem acompanhada de agorafobia (medo de freqüentar lugares públicos e abertos). Somando-se a estes fatos há uma deterioração econômica progressiva.
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Socialmente, as sucessivas recusas a convites recebidos geram afastamento e perda dos contatos sociais.
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No que tange ao relacionamento familiar, o paciente recebe inicialmente os cuidados dos parentes mais intimamente envolvidos. Após várias "peregrinações" a consultórios médicos, onde os exames insistentemente não demonstram patologia palpável, os familiares adotam atitude de estímulo para que o paciente saia da crise. Porém, com o tempo, esse mesmo paciente passa a ser alvo de críticas desferidas não só pela família como também de amigos que, lamentavelmente, só contribuem para o agravamento da situação.
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O desenvolvimento da agorafobia ocorre porque os pacientes passam a ter medo de sofrer novo ataque de pânico onde um anterior já tenha acontecido (teatro ou cinema por exemplo).
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Deve também ser lembrada a "ansiedade antecipatória" (vou ter a crise novamente?) apresentada pelos pacientes no desempenho de tarefas complexa sou mesmo simples como pegar seu carro e dirigir até o trabalho.
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Se o diagnóstico e o tratamento eficaz não são estabelecidos precocemente maior será seu isolamento, assim como a tendência a não sair de casa. A perda de peso é freqüentemente observada.
     
Tratamento da TP
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O fator primordial no início do tratamento é o efetivo bloqueio dos ataques ou redução na sua freqüência e intensidade, através do uso de medicamentos e desta forma (sem o sofrimento com os ataques) permitir outras abordagens terapêuticas.
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É necessário que se estabeleça uma boa relação médico-paciente, um vínculo terapêutico e de informação. O conhecimento pelo paciente de sua doença, evolução, efeitos colaterais possíveis das drogas, necessidade do uso contínuo da medicação (o ajuste da dose capaz de bloquear os ataques terá que ser feito) pelo tempo necessário para o controle dos sintomas é imperativo. Os efeitos adversos das medicações devem ser informados para que não haja motivos de frustração ou culpa nos relacionamentos mais íntimos.
A. Drogas Antipânico
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Embora ainda pouco conhecido, mas sabidamente eficaz, o mecanismo de ação destas drogas parece exercer seus efeitos através de ações às vezes aparentemente antagônicas, a nível dos sistemas de neurotransmissão cerebral, principalmente a noradrenérgica e serotoninérgica (neurotransmissores ). As drogas aumentam a transmissão destas substâncias a nível cerebral assim como a diminuição de sua captação.
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No tratamento são usadas drogas sabidamente capazes de bloquear os ataques de pânico como os benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos, inibidores da monoaminaoxidase, inibidores seletivos da recaptação deserotonina e os inibidores seletivos de serotonina e noradrenalina.
- Benzodiazepínicos: alprazolam e clonazepam
- Antidepressivos Tricíclicos ( ADT ): imipramina, clorimipramina, amitriptilina, nortriptilina
- Inibidores da Monoaminaoxidase ( IMAO ): tranilcipromina, moclobemida
- Inibidores Seletivos da recaptação de serotonina: sertralina, fluoxetina, paroxetina, fluvoxamina e citalopram
- Inibidores Seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina: venlafaxina
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Todos os medicamentos devem ser prescritos por médicos pois possuem efeitoscolaterais.
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Há grande controvérsia quanto ao tempo necessário para manutenção do tratamento. Grande parte dos autores admite ser a duração ideal entre 6 meses a dois anos com posterior suspensão gradativa dos fármacos e reavaliação se os ataques de pânicos voltam a ocorrer. Apesar de adotados estes critérios o índice de recaída após a suspensão da droga varia entre 20 e 50%.
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O paciente deve ser informado de que o início da melhora da sintomatologia pode levar algumas semanas e depende do ajuste das doses necessárias para o bloqueio dos ataques, assim como de sua fiel adesão a terapêutica instituída. Este fato deve ser bem esclarecido ao paciente para que o portador de TP não fique ansioso ou deprimido com a expectativa de melhora imediata.
B. Apoio Psicoterápico
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.É também de fundamental importância. Visa a manutenção da adesão a terapêutica e a orientação quanto ao desenvolvimento e combate às complicações associadas. As técnicas cognitivo-comportamentais parecem ser as mais eficazes neste sentido, aumentando inclusive a resposta ao tratamento medicamentoso.
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A medida que os ataques de pânico se sucedem o paciente desenvolve hipocondria, fobias associadas direta ou indiretamente com as circunstâncias nas quais teve a crise, ansiedade basal e antecipatória, agorafobia, autodepreciação, depressão, desmoralização, alcoolismo e/ou uso abusivo de drogas. Qualquer combinação é possível e independe das características de personalidade embora estejam na dependência da severidade e freqüência das crises, assim como a demora no diagnóstico. O paciente deve ser paulatinamente encorajado (após bloqueados os ataques farmacológicamente) a enfrentar os lugares ou situações onde foi acometido pelo ataque e desta forma ir ganhando auto confiança ao enfrentar suas adversidades.

(*) Dr. Jorge Wilson Magalhães de Souza

domingo, 26 de janeiro de 2014

Depressão: Tudo o que Você Precisa Saber

 
Depressão é o nome que se dá a certos estados de sofrimento psíquico, que podem causar desordens no comportamento, na afetividade, no humor e na relação com o meio ambiente. Várias fatores são responsabilizados como causadores de depressão: hereditários, constitucionais, biológicos, psicológicos e sociais.
 
A depressão pode se manifestar de diferentes formas e, por isso, são inúmeros os sintomas que se envolvem e se associam para determinar o seu diagnóstico. Além disso, é uma doença que pode atingir pessoas de todas as idades, mesmo aqueles jovens em que a variação de humor, as crises emocionais e a rebeldia possam parecer normais para a idade.
 
É uma doença que apresenta sintomas de duração e gravidades importantes, podendo, inclusive, comprometer a pessoa que está deprimida a levar uma vida normal. Além do tratamento psicoterápico, há necessidade de se introduzir o tratamento farmacológico ou biológico.
 
O tratamento feito por psicólogos ou psiquiatras ou mesmo pelo médico da família é muito importante para o paciente compreender a doença e desenvolver formas de lidar com ela, mas a ajuda da família e dos amigos é muito mais importante na recuperação desse paciente. O tratamento é demorado e os resultados não são imediatos, por isso, é preciso der muita paciência e força de vontade.
 
Os sintomas da depressão e suas consequências 
  • ISOLAMENTO DO CONVÍVIO FAMILIAR - O isolamento ocorre porque há perda de parte da identidade e do interesse pelas outras pessoas. Este isolamento agrava ainda mais a doença e seus sintomas.
  • DESINTERESSE PELAS ATIVIDADES NORMAIS - A pessoa quando está deprimida acredita que o seu desejo nunca será alcançado, por isso perde a busca pelo ideal, pelos objetivos e pelo amor próprio, havendo pouca ou nenhuma coisa que lhe desperte o interesse.
  • PERDA DA AUTO-ESTIMA - O deprimido perde a autoconfiança, levando-o a um estado de auto depreciação. O sentimento de culpa é um estado doloroso, no qual a pessoa se vê como alguém que está quebrando uma regra, porém, manifesta-se de maneira hostil ou agressiva.
  • CONCENTRAÇÃO DIMINUÍDA - O paciente perde o interesse, fica abatido e ansioso e tem dificuldade de interpretar o mundo à sua volta.
  • INQUIETAÇÃO E HOSTILIDADE - Em alguns quadros o paciente fica inquieto, irritado e com comportamento agressivo. A apatia promove um atraso nas idéias e como conseqüência a pessoa se retrai socialmente, e seu estado fica confuso e tem dificuldade de tomar decisões.
  • PERDA DE INTERESSE PELO TRABALHO - Quando a pessoa está deprimida costuma se ausentar do trabalho, muitas vezes, o motivo é a fraqueza ou a fadiga, e como conseqüência a atenção , a concentração e a produtividade diminuem.
  • O APETITE É ALTERADO - Normalmente, há um quadro significativo de perda de apetite, em algumas situações o paciente chega ao extremo de se negar a comer. Entretanto, também é freqüente um aumento exagerado do apetite.
  • DIMINUIÇÃO DO APETITE SEXUAL - Normalmente o deprimido perde o interesse e a satisfação sexual, que vêm também acompanhados da perda de esperança em relação ao futuro.
  • CANSAÇO - O humor triste, o ânimo e a energia baixos levam o deprimido a um quadro de fadiga crônica, com diminuição da força e da atividade física.
  • INSÔNIA - É um quadro comum e acompanhado de dores crônicas de cabeça ou de distúrbios gastrointestinais. O quadro também pode ser o inverso, um estado de sonolência permanente, com total apatia, cansaço e lentificação.
  • IDÉIA DE SUICÍDIO - O baixo rendimento no trabalho ou na escola, a tristeza, as alterações da personalidade e do comportamento, a desesperança, a agressividade, a sensação de pânico e o fato de falar constantemente na morte, podem ser sinais indicativos dos risco de suicídio da pessoa deprimida. A intervenção deve ser imediata, tanto do ponto de vista psicoterápico como farmacológico.
 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Cuidado da Sua Saúde Mental

.Saúde mental significa ter pensamentos e sentimentos positivos sobre você mesmo. É tradicional o provérbio de que "o bom humor afasta as doenças", ou "aquele que ri, vive mais". Isto significa que a mente tem uma relação direta ou indireta com o corpo. Assim, a medida que "alimentamos" bem nossa saúde mental (com emoções positivas, poucos aborrecimentos, bons pensamentos, etc.), melhor será a nossa saúde física. 
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A ciência médica está descobrindo, pouco a pouco, que problemas com a saúde mental frequentemente apresentam causas físicas. Estes problemas podem ocorrer quando situações ambientais externas muito sérias, como agressividade entre as pessoas, medo de ser assaltado ou assassinado, perdas muito grandes, como a morte de um ente querido, o rompimento com um grande amor ou a perda do emprego, etc., desencadeiam reações químicas anormais no cérebro.

De fato, já é admitido que alterações mentais como o stress, depressão, medo, ansiedade, raiva, etc., podem provocar vários problemas orgânicos, como úlceras gástricas e intestinais, doenças da pele, diabete e até câncer. Estas são as chamadas doenças psicossomáticas (do termo psique=mente e soma=corpo), ou seja, distúrbios físicos causados por transtornos psicológicos e sociais. Um número altíssimo destas doenças, aproximadamente 50%, acometem a humanidade. 

Algumas pessoas são mais susceptíveis a este tipo de problema do que outras, entretanto, ninguém está imune à doença mental. De acordo com uma definição legal estabelecida pela Lei de Higiene Mental de Nova York, em 1992, a doença mental é uma "condição mental que é manifestada por um distúrbio no comportamento, sentimento, pensamento, ou julgamento de tal forma extenso, que a pessoa requer tratamento e reabilitação".

A conexão corpo-mente-doença

.....Há mais de 60 anos, pesquisadores vem investigando como as emoções afetam o organismo. Descobriu-se que, em uma situação de stress, por exemplo, o confronto com um assaltante, o organismo passa por profundas modificações internas e externas: aumenta a frequência cardíaca e respiratória, as pupilas e as artérias se dilatam, aumenta a descarga de adrenalina, etc. Felizmente, estas alterações duram apenas alguns minutos, pois são mecanismos de defesa observados no homem e em muitos animais para fugirem ou lutarem, e assim sobreviverem do atacante. No caso de uma situação crônica de distúrbio emocional, essas reações se perpetuam causando numerosos transtornos no organismo como úlceras e entupimento das artérias. Estas são as chamadas reações de stress.

Uma das funções do cérebro é produzir substâncias que mantém saudável o corpo e o comportamento. Algumas destas substâncias são as gamaglobulinas, que fortificam o nosso sistema imunológico, o interferon, que combate infecções e vírus, e as endorfinas, que são grandes liberadoras de dor. A produção destas substâncias dependem em parte de nossos pensamentos e sentimentos. Pensamentos negativos podem perturbar a saúde mental. Pesquisas científicas investigando o corpo e a mente estão fazendo descobertas notáveis sobre como as emoções e os pensamentos afetam a nossa saúde. Estudos mostraram que pessoas pessimistas apresentam taxas de doenças significativamente maiores que as pessoas normais.

Como os problemas de saúde mental têm causas físicas e mentais, é necessário procurar resolvê-los tanto pelo autocuidado como pelo cuidado de um especialista na área, como um psicólogo ou psiquiatra. O objetivo deste duplo cuidado é reduzir o stress e restaurar o equilíbrio químico no cérebro. 

 O autocuidado, caminhada ou conversa com um amigo

  • Se sua autoestima estiver baixa, reconstrua-a, e reafirme o seu valor como pessoa.

Quando procurar ajuda profissional

  • Se os sintomas se tornarem numerosos ou muito freqüentes, e você não for capaz de saná-los com o auto-cuidado; 
  • Se os sentimentos negativos que você está sentindo, por exemplo, os de perda, estiverem exacerbados, ou seja, exagerados, e não passam com o tempo; 
  • Se você estiver pensando frequentemente em suicídio.
 
O cérebro e a mente são entidades muito poderosas e, evidências científicas estão agora sustentando a ideia de que aquilo que você pensa e sente tem grande influência sobre a sua saúde ou doença. Portanto, saiba cuidar bem de sua saúde física e mental para que você se mantenha como um indivíduo feliz, íntegro e produtivo.