domingo, 18 de março de 2012

Canoagem havaiana




Saiba mais sobre as canoas havaianas

São seis pessoas remando, concentradas, cada com sua função dentro da equipe e, ao grito de “hip holl”, tudo muda. Esporte de aventura, momentos de lazer, trabalho em equipe, experiência junto à natureza e no mar. Mais que uma nova modalidade, as canoas havaianas devem virar a nova onda do verão. Literalmente...
Projetadas para o mar aberto, para enfrentarem grandes ondas, foram as embarcações usadas por polinésios para a conquista das diversas ilhas do Pacífico. Há seis anos, Fábio Paiva (professor de canoagem de Santos - SP) viu as Wá ’há (canoas havaianas) num programa de TV e ficou apaixonado. “Precisava experimentar aquilo”, diz ele.
As canoas havaianas, um esporte de mar aberto, estão sendo utilizadas como turismo de aventura e esporte de natureza no Canadá, Nova Zelândia, Itália, Austrália, Costa Rica, Indonésia, China, Inglaterra, Japão e, claro, no Havaí. Os canoístas e responsáveis pela divulgação do esporte estão trabalhando para que seja um dos esportes de demonstração nas próximas Olimpíadas, em 2004. E, aqui, estão começando o trabalho para que o Brasil tenha uma delegação de canoístas de Wá ‘há.
Existe uma semelhança nítida entre as canoas havaianas e o rafting, esporte radicado no país há 10 anos. Descendo rios com corredeiras em botes infláveis, os seis remadores de rafting precisam de concentração, espírito de equipe e integração nas remadas, de modo estarem em sintonia com o ambiente (rio ou mar aberto) e com eles próprios. Identidades parecidas? Sim. É a busca do homem contemporâneo pelos esportes coletivos e de contato com a natureza. Um mercado cada vez maior e mais competitivo dentro da Aventura.

Mais que um esporte: uma cultura
As canoas havaianas receberam o sinônimo “outrigger” pelos colonizadores americanos. Essas embarcações capazes de enfrentarem com grande coragem as ondas do turbulento Pacífico, têm mais de 3 mil anos de história. Foi a bordo desses barcos, movidos a remo e vela, que os primeiros habitantes da Polinésia colonizaram as ilhas da região, entre elas Bora Bora, Taiti e Ilha de Páscoa.
Por serem sagradas, cada partida era precedida de um ritual religioso, no qual os sacerdotes abençoavam as canoas e pediam proteção para enfrentar as gigantescas ondas dos mares do Sul. “Essa é a magia da canoa”, diz Fábio. “O trabalho de introdução das canoas vai além do esporte, remar. É toda a cultura havaiana que trazemos embutida, o respeito pelos precursores e a filosofia de trabalho em equipe, que vêm deles”.

A canoa
A canoa havaiana – ou outrigger, devido a seu braço exterior – é feita em fibra de vidro, tem 14 metros de comprimento, 50 cm de largura e pesa 180 quilos com o estabilizador lateral. Tem capacidade para seis pessoas e cada uma tem a sua função específica:

Remador 1: fica na parte dianteira da canoa, responsável pelo ritmo e freqüência da remada, determinada se ela é mais curta ou mais longa;

Remador 2: segue o remador 1, determina o ritmo para os remadores 4 e 6, vigia do iako (hastes de suporte da ama) dianteiro, pois uma oscilação brusca pode virar o barco;

Remador 3: responsável pela contagem do ritmo de remadas, pois a cada 20 ou 25 tem que puxar o coro “Hip Roll”;

Remador 4: sua tarefa é vigiar o Iako traseiro, com o máximo de cuidado, para evitar a oscilação da canoa;

Remador 5: quando necessário, tem a função de retirar com um balde a água que se acumula no interior do barco;

Remador 6: é a função mais importante da canoa, porque fica posicionado na parte traseira, o último homem funciona como o leme do barco. É ele que altera a direção e escolhe o melhor rumo. É responsável também pelos gritos de incentivo aos colegas.


O nomes dos acessórios e comandos dentro do esporte também respeita uma série de regras e, claro, a língua de origem:



Hip Holl – grito dado por todos os canoístas, que determina a mudança lado da remada, ou seja, quem rema direita passa a esquerda e vice-versa. Isso acontece a cada 20 ou 25 remadas. Fábio explica que o grito alto, com a mesma intensidade e em sintonia é a prova de que a equipe está bem. Um bom avaliador de como estão os remadores, cansados ou com muita energia

Wa’ há – nome da canoa na língua havaiana

Ka’ ale – casco da canoa

Hoe – remos

Ama – braço lateral que dá estabilidade à canoa

Iakos – hastes dianteira e traseira de suporte da Ama



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